terça-feira, 10 de maio de 2011

Parabens a você

nesta data florida
Muitas Felicidades
muitos anos de vida

Faz hoje anos Dona Rita
- que dia maravilhoso! –
Não há data mais bonita para a Rita
que este dia luminoso!

Vão todos ao “Festival Dona Rita”
dar parabéns a você
Está pinoca, tão bonita…
e nós sabemos porquê…

Tem ao colo uma boneca
“a Sindy” de fato novo:
num ar levado da breca
dá bons dias ao seu povo.

E oferece chá à gente
com o seu bolo de velas
que assopra logo, imponente,
apagando todas elas!

Viva Viva o Festival
Fica a casa toda cheia
e não falta ao arraial
aquele Dear Rosêia…
Dando ao rabo entra na Festa
dá parabéns a seu modo
e o Dear lambe-se todo
e beija a Rita na testa…!

Viva a Rita
Vivam todos
mais cem anos de alegria
festejando o grande dia!

Se Deus quiser voltaremos
muito em breve, Dona Rita
aos anos do nosso Pipa
que é também um grande dia
de folia que nós temos
Vivam todos – que alegria !
Beijos da Tia Pipita

quarta-feira, 30 de março de 2011

RITA

E lembro-me de ti
naquela tarde
que ainda “moura”
dormias
sem dares que ao teu redor
a vida aparecia
em vésperas de Luz.

Mas nem flores havia no altar
que por ti esperava!
Na minha noite
fui ver se as conseguia
- pois eras para mim
uma estrelinha
que no meu escurecer
resplandecia!
- e fui ver se as conseguia –
um milagre se deu
naquela hora
pois algumas rosas brancas
que eu nem sequer sonhara
abriram para ti
e o altar da capela
vestiu-se de alegria.
Neste momento
guardo a tua imagem de agora
- cabelos soltos ao vento
que te beija a cara lisa
num Bom Dia de Vida –
Não a deixes fugir
segura-a de verdade
não teimes no impossível
- que Deus seja contigo –
e é tua a Mocidade

Primavera de 1978

sexta-feira, 25 de março de 2011

INTERROGAÇÃO

Mãos crispadas rasgaram, num momento,
o que restava ainda na memória
de todo o sonho esparso pelo vento
Em sua crueldade,
ergueram, na penumbra,
fantásticos desenhos de incerteza;
porém, na frouxa claridade,
uma interrogação ficou acesa!

OUTONO

Parece Primavera o Outono em flor…
Tão radioso de vida
tem pena de morrer!
Translúcidas,
as tardes adormecem,
em salva de oiro imensa…

Primavera que morre de amargura
em religioso adeus:
No seu cair de folhas,
há músicas distantes,
vozes de sonhos mortos…

Que extrema-unção de encanto,
no suspirar das coisas…

ARCO-ÍRIS

No Céu em tempestade,
o arco-íris abriu, em curva luminosa,
a sinfonia mística das cores:
um arco triunfal
para a Vida passar da Terra ao Céu,
num acaso de mágica beleza!
Uma aberta de luz na sombra gris,
em que a Terra e o Céu se confundiam:
Visão maravilhosa que eu ganhei,
olhando a imensidade num desejo
de me evadir de todo para Além:
Momento luminoso que perdi…

EXPRESSÃO DA NOITE

Riscando a noite, apavorada e funda,
como quem abre e fecha os olhos vagos,
relâmpagos, ao longe, em tremulina,
acendem no cristal verde dos lagos,
farpas de luz! mistério que se afunda
e apaga, de repente, em noite escura
que pesa de silêncio hostil e baço!
Parece que recurva o dorso da colina,
em galope sinistro, apavorante,
o bruxo claro-escuro! (Despedaço
a sensibilidade, a cada passo,
neste riscar de vidro a diamante…)

Chicotadas de fogo, além, no vácuo,
deixam visões suspensas!
O côncavo do céu abafa e aterra!
Cobre a extensão da noite em forro opaco…
e as árvores, imensas,
dão sombras rastejantes sobre a Terra!

REMOÍNHO

O remoínho fulvo ergueu-se a prumo,
em nuvem desgrenhada
de poeira e fumo:
Alma da terra, em seca desvairada!
Ergueu as mãos crispadas num momento
de ansiosa mágoa,
uivando a sua dor na voz do vento,
em louca sede de água!

Na incandescente«calma»,
que palpitava,
era da terra em fogo um grito de alma…
da terra em fogo, hostil e brava!

Meu espírito-ansiedade é o ruivo torvelinho,
errante na lonjura, eternamente só,
que se levanta à beira do caminho,
em turbilhões de pó!

AO LONGO DO INFINITO

Eram blocos de mármore, suspensos,
as nuvens que ficaram na penumbra
desse morrer de luz, pelos Espaços!
Blocos enormes, fixos:
Na cadência da hora que medita
sobre a planície infinda,
azulada na bruma das distâncias…
E mais funda se cava
a solidão maior,
que irrompe, pela noite,
para afogar a luz
nas dobras do seu manto,
impiedosa, inclemente,
qual a Morte caindo sobre a Vida…

«SOLINA»

Tédio e poeira… À hora da «solina»,
tudo é dormente e mole! resplandece
a luz bravia! O fogo que a domina
e arrasta os nervos frouxos, entontece!

Quando se pisa a ervagem, aparece,
dum mundo oculto vida, que alucina:
em faúlhas crepita… às vezes, tece
no ar como que solta tremulina!

As «cega-regas» são a própria «calma»,
a palpitar em som no descampado,
que vibra, nesse ardor, de corpo e alma:

E pulsa como pulsa um coração…
Arde em febre o arvoredo ensanguentado
e cresce mais amarga a solidão!

AO LUME

O lume fascina,
atrai, encandeia,
deslumbra a visão!
e a casa está cheia
de imaginação!
Perfume a resina
de esteva bravia,
de sobro, de azinho:
Que doce harmonia!
Na hora da ceia
Faz-se a comunhão
do Pão e do Vinho,
à luz da candeia
e ao lume do chão!

O aroma rescende
a plagas distantes;
e doces, serenas,
nesse lumaréu,
as coisas pequenas
parecem gigantes
que chegam ao Céu…

TERRAS MORTAS

Terras mortas, em «calma» adormecidas,
neste reino cinzento de oliveiras,
onde a vida parou: como esquecidas
em silêncio profundo,
lá nos confins do mundo!
À sua volta, turbilhões de poeiras…
e uma cinza diluída
em prata fosca: os olivais sem fim!
lampadários eternos sobre a Vida,
que, a distância, são relvas de jardim!
E recorta-se, abstracta, a sua imagem
sobre o chão afogueado,
sobre a tristeza bárbara e selvagem
do descampado

Inertes de indolência, na quietude
do Tempo, as Terras mortas,
numa eterna apatia de atitude,
mudas, fecham ao Mundo as suas portas!

SÚPLICA

Oh Terra, Terra ardente, abre-me os braços,
Deixa-me sepultar meu coração:
que a minha alma perdida nos espaços
da tua imensidão,
chora de mágoa, anseia torturada,
no uivo da ressequida
voz trágica, monótona, do «Suão»!

Abre-me os braços, sim, apaga, num momento,
a chama que arde em mim, constante e louca…
enterra-me no pó do esquecimento…
sela de morte e de silêncio a minha boca!