Eu vivo para além da fita azul,
que o Tejo marca a luz, nas solidões
sagradas, onde a voz do vento sul
soluça, entoando cálidas canções!
E da vasta amplidão, de sonho enorme,
o áureo limite funde-se no Céu,
conforme
seu coração no meu!
Oh minha terra, cismas revolvendo,
absorta e muda, horas sem fim:
só a falar de ti é que me entendo,
porque é falar de mim!
Minha alma estranha reconhece
Que é só por ti que sente e sonha e se engrandece!
Errante, te procura,
sangrando de amargura…
Comungo em tua mágoa,
oh terra ardente;
anseio a gota de água,
deleitosa, que mata a sede á gente!
Mas sei, também, viver as tardes calmas
da tua graça, a desfazer-se em luz,
quando embalas, sorrindo, as nossas almas,
e anuncias milagres de Jesus!
Sentir a paz, o sol duma alvorada,
é como pressentir o próprio Amor!
(Já tudo, em derredor),
é luz abençoada!)
Eu vivo para além da fita azul
do Tejo, nas paragens de tristeza
dos estevais… Selvagem flor do Sul,
encarno em Natureza!
Janeiro na Pintura Universal
Há 12 horas
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